Ministrarei no Curso de Direção Teatral da UFRJ disciplina sobre Construção de Utopias: a questão dos Estados Mentais e de Novas Práticas Teatrais


A partir de agosto voltarei a ministrar disciplina que criei em 2006 Construção de Utopias: a Questão dos Estados Mentais e de Novas Práticas Teatrais para o Curso de Direção Teatral da Escola de Comunicação da UFRJ.

A convite da Profa. Dra. Carmem Gadelha, coordenadora do Curso de DT, tratarei de como é possível construir em rede, em meio às instabilidades pós-modernas (movida muitas vezes pela violência, pela fragmentação desagregadora e pelo reiterado sentimento de desencontro e desesperança) estabelecer práticas teatrais que positivem a possibilidade do vigor de uma humanidade agregada.

Tratarei no curso de que a construção de utopias dependem do conhecimento profundo que os atores e os diretores tenham da economia psíquica dos públicos, utilizaremos por exemplo Charles Melman, e do domínio que os atores e os diretores tenham do próprio fluxo de estados mentais como aponta, por exemplo, Mattelart para que eles falem uma voz própria, que nunca é dada, mas conquistada pelo sujeito na medida em que elimina de si, em rede, de forma coletiva, o atravessamento de um discurso de pensamentos e afetos que é o deles.

Experimentaremos de que maneira é possível teatralizar sociabilidades no qual o que esteja em cena não sejam apenas os resultados da brutalidade e da desesperança, resultantes da crença generalizada de que as práticas humanas são guiadas pelo interesse e pelo poder auto-referenciados, mas que estejam em cena tentativas utópicas (no sentido de Jurandir Freire, por exemplo) de referenciar as práticas humanas por outras dimensões humanas como a generosidade, a alegria, a delicadeza, a solidariedade, o diálogo.

Estas experiências são os outros nomes da confiança nos relacionamentos, dos agregadores da redes digitais, das políticas públicas sociais, da responsabilidade socioambiental, do planejamento de vidas, carreiras e negócios sustentáveis, do desenvolvimento humano de pessoas, da inclusão, etc.

Sobre o Curso de Direção Teatral
(trecho de matéria feita pelo Olhar Virtual, do Portal da UFRJ, com a profa. Dra. Carmem Gadelha: http://www.olharvirtual.ufrj.br/2006/index.php?id_edicao=198&codigo=7)

O curso de Direção Teatral da UFRJ foi idealizado e fundado em 1993, mas sua primeira turma só ingressou na universidade um ano mais tarde. A idéia de criar um curso de Graduação ligado ao teatro surgiu quando o então diretor da Faculdade de Letras, professor Edwaldo Cafezeiro, e o professor Lauro Góes incentivaram sua criação. Ambos não aceitaram o absurdo de uma universidade do porte da UFRJ carecer de uma atividade teatral ligada à vida acadêmica. Neste momento, a Faculdade de Letras já oferecia um curso de Pós-graduação latu sensu em teoria e prática do Teatro e, a partir desta experiência, foi implantado o curso de Direção Teatral.

Apesar de ter sido pensado na Faculdade de Letras, o curso de Direção Teatral ficou alocado na Praia Vermelha, na Escola de Comunicação (ECO). Segundo Carmem Gadelha, coordenadora do curso, esta unidade foi escolhida levando-se em conta fatores importantes. “Apesar de caber perfeitamente na Faculdade de Letras, o curso ficou na ECO por total impossibilidade de ser executado à noite, na Ilha do Fundão. O teatro é uma atividade de profunda inserção na vida cultural da cidade, se o curso fosse realizado no campus do Fundão boa parte deste contato com a rica vida cultural do Rio de Janeiro se perderia”, opina a coordenadora.

Além da importância de uma boa localização, existe ainda um outro fato que explicita a lógica de funcionamento do curso de Direção Teatral na ECO: “Na atual configuração de arte contemporânea, a Escola de Comunicação e a Direção Teatral têm um campo de estudo e exploração muito abrangente. O teatro e a comunicação são dois grandes campos de atrito e espelhamento, o que possibilita trocas muito saudáveis da cena com o mundo das imagens”, complementa Carmem.